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Dióxido de cloro é a mesma coisa que cloro?

8 de set.
4 min de leitura

Não. Cloro (Cl₂) e dióxido de cloro (ClO₂) são compostos químicos distintos, apesar de ambos conterem cloro no nome. O cloro atua por cloração — substitui átomos na matéria orgânica e, ao fazer isso, forma subprodutos halogenados como os trihalometanos. O dióxido de cloro atua por oxidação seletiva, por transferência de elétrons, e não gera trihalometanos. Os subprodutos do ClO₂ são outros: clorito e clorato, ambos monitoráveis por método próprio. Na prática operacional, a diferença mais visível é a faixa de pH e a ação sobre biofilme.



Corte transversal 3D de uma tubulação industrial: à esquerda, o biofilme que não é tratado pelo cloro; à direita, o metal polido e água cristalina fluindo, destacando a eficácia de limpeza do Dióxido de Cloro.
Corte transversal 3D de uma tubulação industrial: à esquerda, o biofilme que não é tratado pelo cloro; à direita, o metal polido e água cristalina fluindo, destacando a eficácia de limpeza do Dióxido de Cloro.

A confusão vem do nome, não da química

Cloro gasoso e hipoclorito de sódio liberam ácido hipocloroso, cuja forma ativa depende fortemente do pH. Acima de pH 7,5 — situação comum em água de poço e em sistemas de recirculação — o equilíbrio desloca para o íon hipoclorito, menos ativo, e a eficácia cai. O dióxido de cloro é um gás dissolvido que permanece como molécula, sem se dissociar nessa faixa. A literatura registra que a atividade bactericida do ClO₂ não é afetada entre pH 6,0 e 10,0.


A diferença que aparece no sistema: biofilme

Esse é o ponto que separa as duas tecnologias na operação real. O cloro não penetra eficientemente o biofilme das tubulações, o que permite a proliferação de bactérias oportunistas como Legionella e Pseudomonas abrigadas sob a matriz polimérica. O dióxido de cloro penetra e desestrutura essa matriz. Um estudo de 17 meses em sistema de água hospitalar (Srinivasan et al., 2003) registrou queda da colonização por Legionella de 41% para 4% após a introdução de ClO₂.


Subprodutos: o que cada um forma

O ClO₂ não reage com a matéria orgânica formando compostos clorados, e não oxida o íon brometo a bromato. Em contrapartida, forma clorito e clorato. Em estações que usam dióxido de cloro, as concentrações médias registradas ficam em torno de 0,24 mg/L de clorito e 0,20 mg/L de clorato, contra um valor de referência de 1,0 mg/L. Não existe desinfetante sem subproduto — existe subproduto que você monitora e subproduto que você não monitora.


Onde o dióxido de cloro NÃO é a resposta

Rigor técnico exige dizer também onde a tecnologia não se aplica. Se a demanda de oxidante da água for superior a 1,4 mg/L, a razão clorito/clorato pode ultrapassar o limite permitido e o ClO₂ deixa de ser adequado como desinfetante, a menos que os subprodutos inorgânicos sejam removidos depois. Comparado ao ozônio em valores de Ct, o ozônio é o oxidante mais eficaz na faixa de pH 6 a 7 — o dióxido de cloro é mais eficaz que o cloro e que as cloraminas, não que o ozônio. Temperatura também pesa: reduzir de 20 °C para 10 °C diminui em cerca de 40% a eficácia de inativação de Cryptosporidium pelo ClO₂.


Uma distinção necessária: ClO₂ saneante não é protocolo de ingestão

Circula na internet a associação entre dióxido de cloro e protocolos de ingestão conhecidos como CDS ou MMS. Isso não tem respaldo científico nem regulatório e não guarda relação com o uso de que trata este artigo. Os produtos da Linha Oxy são saneantes de uso profissional e doméstico, para superfícies, ambientes e sistemas hidráulicos. Não são medicamentos, não possuem indicação terapêutica e não se destinam a ingestão.


Perguntas frequentes


Dióxido de cloro é mais forte que o cloro?

Em valores de Ct para inativação de vírus e protozoários como Giardia e Cryptosporidium, sim: o ClO₂ é mais eficaz que o cloro livre e que as cloraminas. Contra o ozônio, não — o ozônio é o mais eficaz na faixa de pH 6 a 7.


O dióxido de cloro forma trihalometanos?

Não. Sob condições controladas, não forma subprodutos halogenados como THMs. Forma clorito e clorato, com valor de referência de 1,0 mg/L.


Dá para medir dióxido de cloro com o mesmo fotômetro do cloro?

Com ressalva. O método DPD isolado lê cloro livre e dióxido de cloro juntos. Para leitura específica de ClO₂ acrescenta-se reagente à base de glicina ao DPD. A literatura analítica registra limitações do DPD puro para ClO₂; métodos como Lissamina Green B e vermelho de clorofenol são os indicados quando se exige especificidade.


Referências

•      ALMEIDA, C. M. M. Desinfecção com dióxido de cloro. Boletim da Sociedade Portuguesa de Química, 105, 2007.

•      SRINIVASAN, A. et al. Infection Control & Hospital Epidemiology, v. 24, n. 8, p. 575-581, 2003. PMID 12911029.

•      GAGNON, G. A. et al. Water Research, v. 39, n. 9, 2005. PMID 15899279.

•      WANG, D. et al. Comparison of chlorine and chlorine dioxide disinfection. Water Research, v. 260, 2024. PMID 38906077.

•      US EPA. Toxicological Review of Chlorine Dioxide and Chlorite. Washington, DC, 2000. CAS 10049-04-4.

•      BRASIL. Portaria GM/MS nº 888, de 4 de maio de 2021.



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Instalação de tratamento de água de alta tecnologia.
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